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Tuesday, August 04, 2009

O egocentrismo e as estrelas.


     Nada pior que a ideia romantica de me deitar no chão a ver o céu. A ver as estrelas. A contemplar uma parte ínfima do que chamamos de infinito.

    Vêm-se pontos de luz brilhante num plano preto, com toda a atenção, e durante alguns minutos tudo deixa de fazer sentido.
   E porquê? Porque sou um ser egocentrico, como quase todos nós. Porque nos está na natureza ser assim. Ou talvez apenas na educação, não sei. A verdade é que após algum tempo de observação do imóvel e infinito, me sinto como se não existisse. Ou quase.
    Penso "tudo aquilo pelo qual luto, todas as ideias pelas quais grito (para dentro ou fora de mim), de nada servem. São inúteis. São insignificantes."
     De que serve a um grão de areia, numa praia, tentar mudar mais dois ou três grãos comparças em relação ao que eles pensam. E o impressionante é que uma praia conhece um fim. E o que vejo, quando me deito de barriga para cima, não o tem.

    É então que, num acto de egoismo, me deito de barriga para baixo e olho para o chão. O chão que sei que tenho que caminhar e através do qual um dia, relatarei o que chamamos de percurso de vida. 

    Só existe então, para mim, uma conclusão. Primeiro, não me convidem para ir ver as estrelas. Segundo, deixem-me olhar para o chão e fantasiar que colada a mim está a felicidade de quem quero bem. E a minha, claro.