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Tuesday, September 23, 2008


Dói.
O quê, não sei.
Se soubesse de onde vem já me tinha curado.
Mas é algures entre a zona do peito e do estômago.
É aí que me dói.
É aí que me dóis.

Todos os dias, sais aos poucos de mim,
através de lágrimas que depois insisto em engolir.
Sais e voltas.
Sempre.

Quero tanto conseguir estar contigo sem que me doa o peito.
Sem que a beleza da imperfeição do teu discurso me atire do penhasco.

Daqui a cinquenta anos, se ainda estivermos vivos,
Sei que vou sentir o mesmo.
E vais-me fazer sentir jovem.
Vais-me fazer sentir que naquela altura,
Ainda é possível sentir o que sinto hoje.
Mesmo que já não te conheça.

É uma merda isto que sinto por ti.

És um diamante atrás de grades.
Quero a minha indiferença ao teu valor.
Quero viver com o que a tua alma me ensinou
Viver com o que a tua alma tem para me ensinar
E não necessitar da tua presença e do teu corpo.

Era feliz.

Este excesso de palavras...
Apaguem-mas por favor.

Friday, September 19, 2008


DESCOBRI EU.





Viajámos até onde conseguimos, sem rumo definido.
Acabámos numa praia. Desconfortável de tão bonita.


Como nós.


Tempestades antigas barraram-nos o caminho de volta
e agora só temos o mar como refúgio.

E agora? Nadamos.
Os nossos braços disputam velocidades distintas
E a sobrevivência só cabe na nossa diferença.
Temos que nadar, sem olhar para trás.
Temos que manter a coragem de não sabermos de nós.


Ainda em terra atirei uma pequena pedra polida


contra as ondas fortes da tua convicção.


Ela saltou três vezes.


Foram três vezes que quis voltar ao mundo.


Mas a pedra, ou eu,



desceu.





Afundou-se.









Mas, descobri eu, que no fundo também há chão.


Descobri eu, que podia também ter os pés em terra.


Descobri que há rochas e outros peixes sobre os quais posso viajar.



E assim,


Eu vou ter estórias para contar e tu terás as tuas.


Vamo-nos rir ao ouvi-las. Vamo-nos maravilhar, surpreender,

ofender, chorar e rir de novo.

Vamos dar vida a todos os verbos que aqui possam fazer sentido.

Assim será.

Um dia.

Mais tarde...


Sim, porque nos vamos abraçar outra vez.

Porque nos vamos olhar de pé.


Porque,

descobri eu,

não vamos morrer sem antes ver terra.

Monday, September 15, 2008

FALSETTO I (15.09.08)

Parece-me que vou ter que criar uma espécie de rúbrica, porque quase todos os dias me apetece por no blog a letra de uma canção qualquer que na altura sinto que fala por mim. A rúbrica pode-se chamar "Falsetto"... isto porque é como sendo a minha voz mas não sendo, se é que me entendem :) Vou começar hoje, então... e são duas de uma vez.

Bem cá vai... esta hoje desfez-me. Chama-se "Redwings" e é dos Guillemots:


"REDWINGS"

"This is where we fall from the trees
This is where the sky covers up
Daft killers of joy...
You made a man out of me

And this is where the glass leaves the lens
Splintering a chemistry of friends
I'll treasure you always
You know I love you

And this is where we wake in the ditch
This is where our bodies sing no more
Fallen apples on the floor, pecked at by redwings
So pour another whisky out for me
It'll be the last bottle we share
As I drift into nowhere
Know that I loved you

But love was not enough to hold my grip
Can't you just feel my fingers slip
Into those oceans in the sky where people swim
Oceans in the sky calling me in
Oceans in the sky I tell myself
Though I'm not kidding anybody else
They know I'm leaving
They know that I'm leaving this behind

So I'm leaving my best friend
Just for the hell of it
Just for the sake of it
But how much I loved you..."





Esta também é dos Guillemots...

"LITTLE BEAR"

"Little bear, little bear you're getting out of hand
Getting out of hand
I think I'm going to lose you now
Oh little bear, little bear you know me too well anyway
Too well every day
I'm going home
I'm going beneath the stars
I'm going under the soil again
And I won't be back in a long time so get out
Get out of this old house
Before I burn it down
I wouldn't want to cause you anything
That might break your lovely face
In a thousand shattered china pieces
In this bracken world of broken pieces..."


(de preferência tentem ouvir as músicas. São duas coisas lindas :)

Sunday, September 07, 2008

N


Pedi que fosses. Que partisses.
No momento em que o fiz, correntes de lágrimas prenderam-me a ti.
Tentam puxar-te mas elas são frágeis e tu estás cada vez mais longe.
Vejo-te no fundo, uma silhueta que caminha sobre campos de memórias,
de recordações, de amores e desencantos.
E as lágrimas que te tentam agarrar, só têm força para manchar esse chão
Que eu pedi para caminhares.

Volta. Mas não voltes.
Eu próprio não sei o que sinto.
Desculpa-me se na despedida te disse coisas que não devia.
Quero-te bem contigo. Quero-te bem comigo.
Na verdade quero-te mesmo.
Mas não dá.

Continua o teu caminho.
Ele é longo, eu adivinho.
Tão___longo_____que_______já_______quase________te___________perdi...

A d e u s



Fará algum sentido que é hoje que te amo mais que nunca?

Saturday, September 06, 2008

...
vou chamar "mãe" ao tempo e esperar que ele trate de mim
...